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Innovation

Os Trade-offs de uma Startup: Como decisões técnicas podem impactar o Negócio (Case Dra. Legal)

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Escrito por

Mathgobbo

Innovation6 min19 de ago. de 2026

Nesse artigo irei apresentar os motivos e os resultados das decisões técnicas que tomamos em um de nossos últimos projetos, o Dra. Legal.

Primeiramente, se você ainda não conhece o Dra. Legal, leia esse nosso artigo: Dra. Legal: quando a tecnologia aproxima as pessoas do Direito, em que nosso colega Lucas explica por que esse projeto merece destaque.

Agora vamos para o conteúdo…

Pontos Principais

  • Se você quer lançar um produto digital, planejamento e pesquisa são essenciais! Podem economizar muito tempo (e dinheiro) no futuro próximo.
  • Sempre avalie o preço e a dificuldade. Às vezes vale mais a pena realizar um investimento maior logo no início e validar suas ideias rapidamente.
  • Infraestrutura digital (servidores, domínio, e-mail etc.) é uma escolha difícil quando você está começando. Por isso, dê preferência àquela com a qual você já está mais acostumado (ou seja como eu: teste algo novo e passe várias horas se acostumando e solucionando problemas novos).

O Desafio Inicial

Quando as clientes chegaram para nós com a ideia de construir uma IA para democratizar e traduzir o “juridiquês”, achamos que tarefa não ia ser tão difícil. Porém, uma das funcionalidades que deveria estar presente seria a de ler os processos judiciais do usuário, para que a IA já tivesse essas informações em seu contexto.

Mas de onde iríamos ler esses processos? Como conseguiríamos acompanhar processos judiciais dos usuários cadastrados?

Hoje, temos várias opções. O Jusbrasil é, sem dúvida, a maior delas. Mas quando analisamos o preço, tivemos que dar um passo para trás.

A partir disso, fomos verificar como poderíamos criar nossos próprios robôs para coletar os dados e monitorar as bases judiciais. Nossos alvos eram o E-Proc e o SAJ, portais de veiculação de processos usados pela maioria dos tribunais estaduais e federais. São alguns dos principais sistemas brasileiros para consulta de processos, e nosso plano era coletar essas informações a partir deles, usando um script de consulta simples (um algoritmo que visitaria esses sites e colheria as informações dos processos dos usuários).

Mas sem chance: verificamos que cada tribunal parecia ter seu próprio website, que usava o sistema do E-Proc ou do SAJ como base, e desenvolver um algoritmo para realizar a coleta de informações em cada um multiplicaria o tempo de desenvolvimento por três (sem contar a manutenção futura).

Para vocês terem uma noção, enquanto pesquisávamos e tentávamos entender o nível de dificuldade de fazer essa raspagem dos dados, fomos a fundo no LinkedIn, e descobrimos que o Jusbrasil faz algo semelhante, mas com uma equipe técnica que ultrapassa 80 pessoas (número tirado como base em nossas próprias pesquisas). E nós estávamos pensando em replicar uma parte disso com uma equipe de apenas quatro integrantes.

No fim, a solução que escolhemos foi o Escavador, um serviço parecido com o Jusbrasil, mas cujo modelo de consulta pré-pago nos atendeu muito bem, oferecendo uma melhor relação entre custo e benefício. Dessa forma passamos a utilizá-lo para o monitoramento e a pesquisa de processos, o que nos poupou muito mais tempo do que a ideia anterior.

Por fim, começamos a salvar uma cópia dos processos já pesquisados e, voilà, passamos a ter os processos armazenados em nossa própria base, eliminando, inclusive, consultas desnecessárias ao Escavador.

E agora, o medo da Meta.

Ok, já estávamos conseguindo consultar os processos, mas e quanto às movimentações dos processos? E se um dos usuários recebesse um novo processo? Tínhamos que notificá-lo!

Arquitetamos o disparo de e-mails e mensagens via WhatsApp, usando um sistema de filas para garantir que cada notificação de movimentação processual fosse disparada e que seu envio fosse registrado.

Mas, para o WhatsApp, não temos uma solução tão simples de integrar quanto o e-mail, e nossa cliente já havia tido más experiências com esses serviços de envio de mensagens, tendo algumas contas de WhatsApp banidas.

Ainda assim, conseguimos avaliar um leque de opções.

Poderíamos usar um provedor não oficial ou a própria solução da Meta, mas o caminho que seguimos foi utilizar um provedor oficial. Selecionamos a Twilio, empresa de referência quando o assunto é disparo de mensagens via SMS/WhatsApp e comunicação em geral (eles oferecem até serviços de e-mail e chamadas telefônicas).

Usando o serviço deles, teríamos menos diretrizes com que nos preocupar, contaríamos com um provedor reconhecido e simplificaríamos a integração com o WhatsApp.

Sim, o serviço deles é caro, mas aceitável em nosso caso, considerando o baixo volume de mensagens que esperávamos. Além disso, ao terceirizarmos parte da integração, nós consequentemente a simplificaríamos.

Pense grande, mas, se a empresa for enxuta, use ferramentas compatíveis.

Outra escolha importante que fizemos foi em relação à hospedagem dos servidores e à infraestrutura (site, backend, banco de dados etc.). E, por mais que a ideia parecesse complexa e que fôssemos precisar de um servidor dedicado ou de algo mais potente (e mais caro), logo de início começamos a utilizar o Supabase (quem já vibe codou algo deve conhecer), uma plataforma que oferece (quase) tudo de que um sistema dedicado aos usuários pode precisar.

Com ele, temos autenticação, banco de dados e uma gama de outros serviços essenciais para um SaaS. E, durante o desenvolvimento, não chegamos a ultrapassar sua cota gratuita.

Mas, claro, antes do lançamento, adquirimos um plano pago para termos um respiro caso a demanda aumentasse drasticamente.

Julho de 2026…

Foi o mês em que o Dra. Legal foi ao ar. E, depois de alguns meses desenvolvendo, entregamos mais um projeto.

Neste artigo, tentei reunir nossas principais decisões, procurando mostrar as razões por trás de cada uma. Mas, sem dúvida, um dos maiores aprendizados foi que não existe um fórmula mágica. Cada projeto é único e merece planejamento. Já existem diversas soluções para inúmeros problemas, e é dever de nós, engenheiros de software e líderes, realizarmos as escolhas mais assertivas.

Então é óbvio, uma equipe dedicada e preparada ainda é essencial para o sucesso de um projeto de software. Ferramentas de IA podem até auxiliar no processo, mas se não soubermos o que realmente está acontecendo, seremos reféns de um algoritmo.

Por isso, convido vocês a compartilharem suas experiências e, é claro, a contarem com a Beyonders em seus próximos projetos!

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